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Nikkei vem pela primeira vez ao Brasil
para conhecer terra natal

No Japão desde os 4 anos, brasileiro quer conhecer suas raízes e cumprir
promessa feita ao avô, com quem só falou até hoje por telefone
 

Carlos Eduardo Kenji Kanazawa prepara a mala com presentes do Japão, além de jornais e revistas que pretende dar ao avô

(Reportagem e Foto: Alexander Kanashiro/IPC)

Carlos Eduardo Kenji Kanazawa, 24, pertence à geração que nasceu no Brasil mas só conhece o País por fotos e histórias. Agora, depois de adulto, quer visitar a terra natal pela primeira vez para cumprir uma promessa feita na adolescência: conhecer pessoalmente o avô Tomezu Kanazawa, japonês de 92 anos, com quem só falou até hoje por telefone.

O nikkei, que mora em Ichinomiya (Aichi), chegou ao Japão com apenas 4 anos e estudou sempre em escola japonesa até terminar o Ensino Médio técnico. Entende português, mas fala com dificuldades. Agora, para sobressalto dos pais, decidiu que virá ao Brasil para ficar pelo menos três meses no País e resgatar suas raízes, além de conviver com o avô.

A viagem será surpresa. O rapaz e sua mãe, Emi, embarcam em julho para São Paulo (SP). Apenas o tio sabe da visita e está cuidando dos preparativos para a festa de recepção. “Vamos chegar, tocar a campainha e ver a reação de todos”, conta ela. O filho leva na bagagem brinquedos para os primos e livros e recortes de jornais e revistas sobre o Japão para o avô. “Ele sempre me pergunta sobre o país quando ligo. Por isso estou preparando um álbum de fotos para sentar junto dele e contar sobre a minha vida”, diz Kenji.

Vida no Japão

A opção pela escola japonesa foi uma recomendação do avô. “Antes de sairmos do Brasil, meu sogro incentivou para que o colocasse na creche logo que chegássemos. Assim, ele assimilaria com facilidade a língua e os costumes japoneses desde pequeno”, conta Emi. “Meu filho cresceu dizendo que iria ao Brasil. Me pedia para levar pastel de lanche para a escola e fazer feijoada no almoço. Mesmo entendendo pouco de português, até hoje gosta de ver desenhos dublados”, diz a mãe.

Para conhecer a terra onde nasceu, Kenji chegou a interromper seus estudos por um ano no chuugakou (segunda fase do Ensino Fundamental) para viajar, mas o plano foi adiado por duas vezes. A primeira devido ao atentado terrorista de 11 de setembro de 2001, e a última por problemas de saúde de um membro da família no Brasil, o que dificultaria a estadia no País.

Uma das motivações para continuar com o sonho veio depois de ser rejeitado para uma vaga de emprego por não dominar o português. Para mudar isso, investiu as economias dos primeiros anos de trabalho num curso particular de língua portuguesa em uma escola de idiomas em Nagoia.

Agora ele está certo de que nenhum imprevisto vai atrapalhar sua viagem. A mãe está receosa de que o filho goste demais do Brasil e queira ficar no País. Foi só durante a entrevista ao International Press que Emi descobriu a razão de tanta vontade de viajar ao país de origem. “Eu prometi há alguns anos ao meu avô que iria vê-lo e moraria com ele. Estou indo para conhecer o lugar onde nasci e cumprir minha promessa”, revela. E se ele se adaptar ao País, arranjar uma namorada e não quiser mais voltar? “Aí eu acho que vou ficar descabelada de tanta preocupação. Tenho bastantes ciúmes dele”, revela a mãe com bom humor.

 
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