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  Históra da Imigração Japonesa
Cinema-teatro: o sucesso de uma novidade
Memórias de um ator do teatro nipo-brasileiro
A aventura da família Hakkodan continua
De colônia em colônia, a aventura da família Hakkodan
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Cinema-teatro: o sucesso de uma novidade
As memórias do ator nipo-brasileiro Shotaro Arashi, sobre os
tempos áureos do teatro na comunidade

Nakamura Kinjiro em uma das cenas de “Shimabara Amakusa no Hanran”

O grupo teatral formado pelas irmãs Nobuko (à direita) e Naoe Fushimi e o ator Teisuke Kudo (de quimono). Nas laterais, à direita, Yoshida Teruo, e à esquerda, Arashi Shotaro

(Fotos: Museu Histórico da Imigração Japonesa)

Nesta segunda e última parte, ele conta a sua trajetória na capital paulista. Shotaro Arashi chegou ao Brasil em 1933 e, no ano seguinte, já liderava o grupo de teatro amador formado por companheiros agricultores. Sua estréia brasileira foi em Promissão, dando continuidade à carreira de ator iniciada na juventude, no Japão.

Em 1948, ao mudar para São Paulo, conheceu o frei Bonifácio, que mantinha intenso relacionamento com os imigrantes japoneses. Nessa época, a licença das autoridades policiais para encenação das peças de teatro por estrangeiros só era concedida mediante à aprovação prévia do enredo. Para tanto, contavam com a ajuda do frei Bonifácio na tradução para o português.

E foi em um desses encontros que surgiu a idéia de rodar um filme, juntando cinema e teatro, duas atividades preferidas pelos imigrantes japoneses. Para essa empreitada contaram com o patrocínio da Casa Tietê, uma loja de móveis, de Yoshinobu Suguimoto, que possibilitou a compra de uma filmadora 16mm, em preto e branco.

E, atendendo ao pedido do frei Bonifácio, escolheram a peça “Shimabara Amakusa no Hanran” (A rebelião do feudo Amakusa na Península de Shimabara, em Kyushu) que tratava sobre o levante de camponeses cristãos da ilha de Kyushu, em 1637, que teve como causa imediata a alta taxação e o mau governo dos senhores de Shimabara e Amakusa.

A novidade foi um sucesso entre os imigrantes japoneses – uma parte do drama épico era contada em filme, outra, pelos atores representando ao vivo, no mesmo palco. Depois da temporada de sucesso na capital, a peça também fez uma turnê pelo Estado de São Paulo.

No segundo filme mudaram de gênero, escolheram a história “Kira no Junkiti”, que narra a trajetória de um famoso yakuza. O terceiro, chamou-se “Mori no Ishimatsu”, que conta a história de um bandido benfeitor, estilo Hobin Hood.

Outros filmes foram rodados mas, Arashi, após enfrentar uma série de problemas com o grupo, saiu e, em 1951, retornou ao teatro com o grupo “Enguizá” (Grupo Teatral), e apresentou o primeiro trabalho no Teatro São Paulo. Era uma peça de kabuki e, para maior brilhantismo chamou o grupo Lins Guidayu (que tocava shamisen). De acordo com ele, “pela primeira vez, foi encenado no Brasil o verdadeiro kabuki”.

Outras peças
A peça seguinte se passa numa época atual, a outra remetia aos tempos dos samurais, assim por diante. Em 1963, ele destaca o sucesso alcançado com “Ooka Seidan”, história política do período Edo e conhecida peça de kabuki “Chushingura”.

Nesse mesmo ano, organizou o concurso de teatro, o Nambei Guekijyo, reunindo grupos de vários lugares, como Paraná, Lins, Jundiaí, Mauá e Suzano. O grupo vencedor foi o de São Paulo, seguindo-se Lins e Suzano. Harumi Yamaguchi, de Lins, foi o vencedor na categoria individual.

Arashi conta, em suas memórias, a passagem do grupo japonês formado pelas irmãs Naoe e Nobuko Fushimi e Teisuke Kudo, que realizou uma série de apresentações no Paraná e na capital paulista. Animado com o sucesso, antes de retornar, o grupo decidiu fazer uma turnê pelo interior paulista. O agente, responsável pela produção, recebeu o pagamento adiantado de várias localidades e fugiu para o Japão. Sem dinheiro das passagens, o grupo foi obrigado a realizar várias apresentações para conseguir retornar à terra natal.

Nos anos 70, o ator relembra a exibição do Kohaku Utagassen, programa de cantores apresentado no final de ano pela tevê NHK, em junho de 1973, como parte da comemoração dos 65 anos da imigração japonesa. O evento foi realizado no Teatro Brigadeiro e seu grupo se apresentou com uma peça de samurai, “Kuramatengu”.

 

Problemas com a polícia
Em 1948, quando filmavam “Shimabara Amakusa no Hanran” (A rebelião de Amasuka em Shimabara), conta Shotaro Arashi, precisavam de um local amplo e desabitado para a encenação de uma luta de espadas. O local escolhido foi uma praia, próxima a Santos, em direção a Itanhaém.

O filme rodando, de repente, os atores foram cercados por cerca de 20 policiais. Ocorre que um motorista, ao passar pelo local e ver a estranha movimentação, achou que um bando de japoneses estava “se matando” e avisou a polícia.

O mal-entendido só foi desfeito graças à interferência do pároco local que explicou que, apesar a violência das cenas, o conteúdo da filmagem exaltava a fé dos católicos, a liberdade e o amor a Deus.

 

NOTA DA REDAÇÃO
As fontes para os textos são: Texto de Masao Daigo, “Hakkodan no Tanjyo”, publicado no livro Coronia Gueinoshi, vários autores, edição da Comissão de Publicação do Coronia Guenoshi, 1986, São Paulo.
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