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(Ilustrações:
Claudio Seto | Foto: Fernando Takahashi/NB)
As primeiras
obras de História do Japão (Kojiki e Nihon Shoki), de Geografia
(Fudoki), e a antologia de poemas (ManYôshu) foram compiladas
na Era Nara. Além delas, foram escritas outras obras de menor importância
pelos clãs regionais ou a mando deles, já que o homem sempre
teve o desejo de deixar para a posteridade os seus feitos.
Kojiki
É o livro de História do Japão considerado o
mais antigo. A obra foi concluída em 712, a mando da imperatriz
Genmei. Foi compilado por Ô-no-Yasumaro, com auxílio de Hieda-no-Are.
Trata-se de uma obra em três volumes. No primeiro, são relatadas
as peripécias dos deuses, desde a criação do arquipélago
japonês; no segundo e terceiro volumes, as biografias dos imperadores,
desde o primeiro soberano do clã Yamato, o imperador Jinmu, que
subiu ao trono em 660 a.C., embora considerado pelos historiadores como
um personagem fictício para legitimar a linhagem divina da família
imperial, já que ele é considerado descendente direto da
deusa do sol Amaterasu Ômikami. A obra termina com o governo da
imperatriz Suiko (592~628).
No
Kojiki, são relatados episódios como o do capricho da deusa
do sol, Amaterasu Ômikami, que se escondeu na caverna deixando o
mundo mergulhado nas trevas; a aventura de Susanô-no-Mikoto, que
mata a gigantesca serpente de 8 cabeças usando sua astúcia;
e outras histórias.
Nihon Shoki
Primeiro livro oficial de História do Japão, foi concluído
em 720 e compilado pelo príncipe Toneri Shinnô, terceiro
filho do imperador Tenmu, e muitos outros. É uma obra de 30 volumes,
que começou a ser compilada na época do imperador Tenmu
(673 ~ 686) e levou 39 anos para ser concluída. Como há
muitas citações de obras chinesas e coreanas, acredita-se
que houve a participação de muitos kika-jin (intelectuais
estrangeiros naturalizados) em sua confecção. Assim como
Kojiki, relata desde os tempos dos deuses até a imperatriz Jitô
(645~702), esposa do imperador Tenmu, que ocupa o trono após a
morte do marido (690~697).
Fudoki
Em maio de 713, a imperatriz Genmei ordena que sejam feitos relatórios
de cada região (fudoki) seguindo os cinco itens abaixo:
Colocar
o nome nas comarcas formado por dois ideogramas auspiciosos;
Relatar todos os produtos (tudo que se colhe da natureza, excetuando-se
os produtos agrícolas e manufaturados), plantas, peixes, aves e
animais da comarca;
Detalhar as condições dos solos; se são férteis
ou não; terras produtivas e as que possam se tornar produtivas;
Descrever montanhas, rios, campos e explicar a origem de seus nomes;
Anotar as lendas contadas por anciãos.
Dessa forma,
devem ter sido entregues fudoki de mais de 60 regiões, mas foram
conservados até os dias de hoje apenas 5 fudoki, a saber: de Izumo-no-Kuni,
Hitachi-no-Kuni, Harima-no-Kuni, Bungo-no-Kuni e Hizen-no-Kuni. Dentre
eles, o único que existe ainda hoje na íntegra é
o Izumo-no-Kuni, fudoki concluído em 733, no qual constam as descrições
de Izumo-no-Kuni, atual província de Shimane, e de seus templos
xintoístas e budistas, montanhas, rios, estradas e produtos da
natureza.
Harima-no-Kuni (atual província de Hyogo) fudoki, um dos primeiros
a ficar pronto, foi concluído por volta de 715, com registro de
muitas lendas populares num estilo bastante singelo. O fudoki de Hitachi-no-Kuni
(atual província de Ibaraki) deve ter sido concluído entre
717 a 724, e os de Bungo-no-Kuni (atual província de Oita) e de
Hizen-no-Kuni (atuais províncias de Saga e Nagasaki), por volta
do ano 739.
ManYôshu
É a antologia de poemas japoneses mais antiga, contendo mais
de 4.500 poemas distribuídos em 20 volumes. Não se sabe
ao certo quem reuniu e compilou todos os poemas, mas supõe-se que,
no início da Era Nara, já houvesse um original reunindo
os diversos poemas, ao qual o nobre Ôtomo-no-Yakamochi juntou a
antologia de poemas da sua família, fez a revisão geral
e concluiu a obra por volta de 760.
Nos últimos
volumes, constam os poemas da autoria de Ôtomo-no-Yakamochi escritos
após 746. Além dele, a antologia reúne poemas de
imperadores, nobres, humildes camponeses, poetas da corte e outros tantos
poemas de autoria desconhecida.
Destacam-se,
por seu alto teor literário, os poemas de Nukata-no-Ôkimi,
amada do imperador Tenmu, Kakinomoto-no-Hitomaro, poeta da corte, Yamanoue-no-Okura,
filósofo de grande conhecimento que fez parte de uma das missões
a Tang (China), e muitos outros poetas.
Os poemas foram
escritos em kanji (ideograma), porém, levando em conta apenas as
suas leituras, ou seja, utilizando-os apenas como fonogramas (kana). Assim,
esse tipo de recurso da escrita recebeu a denominação de
manyô-gana, ou seja, fonogramas de manyô-shu.
Das escritas cursivas desses manyô-gana, criaram-se, mais
tarde, os fonogramas hiragana.
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