PODER
- Xogum implantou um complexo sistema para organização
e controle do governo
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O sistema
feudal japonês foi sedimentado por Tokugawa Ieyasu, cujo clã
teve o domínio político do Japão por mais de 250
anos. Entretanto, qual foi a estratégia utilizada por ele para
controlar senhores feudais e samurais?
Xogunato
Tokugawa e suas estratégias de controle
Para a manutenção
do xogunato, era imprescindível a cobrança de tributos.
Para tanto, era necessário rigor na vigilância dos senhores
feudais. Assim, como primeiro passo, foi feita a classificação
dos senhores feudais (samurais com feudos superiores a 10 mil koku*
medida para indicar a receita obtida pelos daimiôs em sacas de arroz)
em três categorias: shinpan, fudai e tozama.
Shinpan eram
os daimiôs (senhores feudais) que tinham parentesco com o clã
Tokugawa. Estes receberam terras nas redondezas de Edo, Osaka e Quioto.
Fudai eram os daimiôs que serviam o clã há muitas
gerações, ou os aliados que se mantiveram fiéis a
Tokugawa desde antes da vitória do clã na Batalha de Sekigahara.
Já Tozama eram os daimiôs inimigos de Tokugawa até
o evento de Sekigahara. Estes receberam terras em regiões ermas,
cercadas de feudos dos fudai daimiôs.
Em 1615, foi
estabelecido o sistema de um castelo para um feudo. O xogunato Tokugawa
reconhecia apenas um castelo como sede de cada daimiô, fazendo com
que os demais fossem desmontados, para reduzir sua capacidade de defesa.
Também
neste ano, foi outorgada a lei para controlar os daimiôs denominada
Buke Shohatto. Anunciada pelo primeiro xogum, Tokugawa Ieyasu, no Castelo
de Fushimi, a lei era composta por regras de comportamento para os daimiôs,
com restrições quanto: reforma de castelos; proibição
de construção de novos castelos; pedidos de permissão
para casamentos; e sistema de sankin kôtai, ou seja, a obrigatoriedade
de os daimiôs morarem um ano em Edo e outro em seu feudo, alternadamente,
com suas respectivas esposas e herdeiros residindo em Edo.
Até
o terceiro xogum, Tokugawa Iemitsu, 120 daimiôs tiveram seus feudos
extintos por infrações à lei de Buke Shohatto. Quando
isso ocorria, todos os seus súditos perdiam o emprego e tornavam-se
rônin, ou seja, samurais sem senhor a quem servir. Dessa forma,
eles procuravam empregos em outros feudos; os mais estudados tornavam-se
médicos, professores, ou yôjinbô (guarda, segurança)
de casas comerciais. Eles podiam ainda se tornar agricultores ou comerciantes.
A acumulação
de bens por parte dos daimiôs era controlada com as contribuições
obrigatórias nas reformas do Castelo de Edo, obras de canalização,
construção de vias públicas e pontes.
Os súditos
diretos do xogum eram subdivididos em dois grupos: os hatamoto e gokenin.
Os hatamoto eram cerca de 5 mil samurais de elite, súditos que
tinham permissão para estar na presença do xogum. Os gokenin
somavam em torno de 17 mil samurais, que não tinham permissão
de estar na presença do xogum.
O sistema social
estabelecido foi o de shi-nô-kô-shô, que determinava
a divisão da população em classes de samurais, agricultores,
artesãos e comerciantes, sendo todas as funções de
caráter hereditário. O casamento de pessoas de classes diferentes
era proibido.
Ôoka
Tadasuke (1677~1751) o samurai mais bem-sucedido
Nascido como
filho de um hatamoto, em Edo (atual Tóquio), Ôoka Tadasuke
foi o único de sua classe a alcançar o posto de daimiô.
Trabalhou como juiz em sua terra e julgou com imparcialidade um caso com
envolvimento do clã Tokugawa, impingindo sentença desfavorável
ao clã, sem se deixar influenciar por seu poder.
Quando Tokugawa
Yoshimune tornou-se o oitavo xogum de Edo, lembrou-se do juiz incorruptível
e escolheu-o como magistrado da cidade Edo, em 1717. O cargo de magistrado
de Edo (Edo bugyô) era de suma importância e englobava os
poderes legislativo, executivo e judiciário.
Durante os
19 anos em que Tadasuke foi magistrado, ele proibiu a prática de
tortura, criou medidas para evitar acusações falsas e julgou
criminosos com sabedoria e misericórdia. Seus casos judiciais estão
descritos no livro intitulado Ôoka seidan. Tadasuke ainda criou,
junto com o xogum Yoshimune, o grupo de bombeiros e o sistema de prevenção
de incêndios; tentou refletir a opinião do povo na política,
com a criação da caixa de opiniões do povo; construiu
um hospital em Koichikawa, liberando-o aos pobres; e contribuiu ainda
para liberar a introdução de livros holandeses, promovendo
o desenvolvimento da ciência denominada de rangaku, ou estudos holandeses.
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