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A
Era Meiji foi o despertar do Japão para a modernidade. Porém,
para que isso ocorresse houve muitos entraves, já que muitos perderam
os seus privilégios conquistados ao longo de séculos. A
seguir, veremos a trilha para a modernidade japonesa:
Gokajô
no goseimon (Juramento de cinco cláusulas)
Logo após
a devolução do poder ao imperador Meiji, no dia 14 de março
de 1868, são editadas em nome do imperador, as diretrizes básicas
do novo governo, denominadas Gokajô no goseimon (Juramento de cinco
cláusulas): 1) Promover uma ampla assembléia, respeitando
a opinião pública; 2) As medidas governamentais deverão
ser tomadas em comum acordo; 3) Todos, desde os burocratas até
os civis, devem concretizar suas aspirações, sem sobrecarregar-se
física ou espiritualmente; 4) Abandonar os velhos costumes restritivos
e agir abertamente, baseando-se nos bons costumes; 5) Procurar pelo mundo
afora amplos conhecimentos para o bem da nação.
Sob essas diretrizes
o novo governo tenta modernizar o país, introduzindo o sistema
ministerial (dajôkan seido), instituindo os três poderes,
ou seja, o legislativo, executivo e o judiciário, seguindo o modelo
americano.
Promulgação
do sistema educacional
A difusão
do ensino contribuiu em muito para a modernização do Japão.
No ano de 1872
(ano 5 da era Meiji), o governo promulgou o sistema educacional em que
estabelece a obrigatoriedade do ensino primário a todas as crianças
a partir de 6 anos. Como a construção da escola e a mensalidade
ficaram sob a responsabilidade da região, no início o número
de alunos não foi grande, mas com o tempo essa situação
foi revertida.
Foram criadas
muitas instituições de ensino superior, tal como a Universidade
de Tóquio, contratando-se muitos professores estrangeiros e muitos
estudantes receberam bolsas para estudarem nos países europeus
e nos EUA.
Em 1886 é
divulgada a diretriz de educação do imperador Meiji, o famoso
kyôiku chokugo, que passa a ser lido em todas as escolas até
o fim da segunda gerra. O texto prega o amor fraternal, a amizade, o amor
ao próximo, a dedicação aos estudos, o cultivo de
conhecimentos, o trabalho para o bem social, obediência às
leis para a manutenção da ordem social e a sincera dedicação
para a paz e a segurança da nação.
Incentivo
à produtividade
O novo governo
japonês empenha-se em desenvolver a produtividade industrial implantando
fábricas de capital estatal, tal como fábricas de fiação
na província de Gunma, e tenta difundir novas tecnologias através
de exposições.
As redes de
transporte e de comunicação, imprescindíveis para
o desenvolvimento econômico também são levadas em
conta. Assim, em 1872, é inaugurada a linha ferroviária
que liga o bairro de Shinbashi (Tóquio) à cidade de Yokohama,
e dois anos depois, a linha que liga as cidades de Kobe e Osaka. Nas costas
japonesas os navios à vapor passam a navegar com maior freqüência
e os velhos mensageiros (hikyaku) são substituídos por modernos
sistemas de correio e telégrafos.
A
revolta dos shizoku (samurais destituídos)
Ôkubo
Toshimichi, estadista que se tornou a figura principal do novo governo,
ao mesmo tempo em que se empenha no desenvolvimento da produção
nacional, reforça seu domínio sobre o país, controlando
com rigor o povo. Isso causa a insatisfação de muitos que
sonham com um país mais livre, surgindo várias revoltas
contra o novo governo.
Com a instituição
de províncias em substituição aos feudos, os shizoku,
ou ex-samurais, perdem seu ponto de apoio, e em 1876, o pagamento
do roku (salário de samurai) também é extinto, com
a recompensa de um pequeno valor (kinroku kôsai). Ainda, com a instituição
da lei de igualdade, eles perdem o privilégio do porte de espada,
assim como o valor de guerreiro, já que o serviço militar
torna-se obrigatório a todos os jovens.
Entre as várias
revoltas, a de maior proporção e repercussão foi
a revolta conhecida por seinan sensô (guerra do sudoeste) comandada
por Saigô Takamori, um dos revolucionários que restituiu
o poder imperial e que havia defendido o envio de tropas japonesas à
Coréia para desviar a frustração e insatisfação
dos samurais. O levante começa em fevereiro de 1877, com a participação
de mais de 30 mil shizoku de Kagoshima, ilha de Kyushu, e termina em setembro
do mesmo ano, com a derrota da força revoltosa perante a tropa
de soldados recrutados pelo novo governo, e Saigô Takamori acaba
se suicidando, praticando o haraquiri .
Constituição
Japonesa
No dia 11
de fevereiro de 1889, é anunciada sob o nome do imperador Meiji,
a Constituição do Grande Império Japonês (Dai
Nippon Teikoku Kenpô).
Pela Constituição,
ficou estabelecido que o imperador governaria o país como mandante
supremo, detendo a autoridade para convocar ou dissolver a Dieta Imperial
(Teikoku Kokkai - parlamento imperial), comandar o poder militar, assinar
tratados e decidir sobre iniciar ou não uma guerra.
A Dieta Imperial,
inaugurada em 1890, seria composta por parlamentares da nobreza (kizokuin)
e câmara dos deputados (shûgiin) eleitos pelo povo, que começa
a ter participação na política, embora com restrições.
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