|
A instituição
das leis de Diretrizes do Sistema Educacional de 1872 (ano 5 da Era Meiji),
que permitiu a educação escolar a ambos os sexos indistintamente,
teve um grande significado para o crescimento social das mulheres. Embora
as mulheres tivessem uma participação mais ativa na sociedade
desde antes, com a maior oportunidade de estudos, elas foram conquistando
o seu espaço na sociedade.
Já no
ano 4 da Era Meiji (1871), antes da instituição das leis
de Diretrizes do Sistema Educacional, cinco garotas viajaram aos Estados
Unidos, acompanhadas do influente político Iwakura Tomomi (1825~1883),
para conhecer e absorver melhor a cultura ocidental. Dentre elas, Tsuda
Umeko (1864~1929), na época da viagem aos EUA, contando apenas
com 7 anos de idade, teve problemas de readaptação, quando
da sua volta. Ela fundou uma escola de língua inglesa para moças
em 1900 (ano 23 da Era Meiji), hoje, Universidade Feminina Tsuda-juku.
Muitos intelectuais
da época, como Fukuzawa Yukichi, defendiam a igualdade social das
mulheres. Porém, isso não foi a garantia para a elevação
da posição social da mulher, pois as leis civis da Era Meiji
eram de patriarcado absoluto.
Com o aumento
de mulheres intelectualizadas e movimentos feministas, as mulheres foram
conquistando o seu espaço, mas isso se limitava ao perímetro
urbano. No campo, as mulheres ainda eram tratadas em termos desiguais.
Despertar
da ideologia feminista
Com maior oportunidade
de estudos nas escolas femininas, surgiram mulheres atuando em variadas
áreas desde muito jovens, além daquelas que lutavam pela
libertação da mulher do jugo masculino, como Fukuda Hideko
(1865~1927) e Hiratsuka Raichô (1886~1971).
Fukuda Hideko
passou por muitas provações, mas nunca abandonou seu ideal
de buscar uma vida melhor para as classes oprimidas. Participou do movimento
socialista, foi presa em 1884, ao tentar viajar à Coréia
com um grupo que pretendia libertar o país do domínio chinês.
Foi solta em fevereiro de 1889, graças à anistia concedida
aos presos políticos, quando da promulgação da Constituição
do Grande Império Japonês. Sem esmorecer, continuou sua luta
fundando a revista Sekai Fujin (Mulher Universal), em 1907. Foi publicada
até 1910, ano da sua proibição. Era uma mulher atraente,
que despertou muitas paixões, acreditou em muitos homens, a maioria
agitadores nos quais ela confiou como uma colega de luta por um mundo
melhor, e foi traída várias vezes. Faleceu aos 63 anos,
no dia 2 de maio de 1927.
Hiratsuka Raichô,
uma das precursoras do movimento feminista do Japão, nasceu no
ano 19 da Era Meiji (1886), viveu a Era Taisho e faleceu no ano 46 da
Era Shôwa (1971), aos 86 anos sempre lutando pela igualdade social
da mulher.
Nascida em
Tóquio, Raichô estudou nas melhores escolas, cultivando os
seus ideais liberais durante esse período. Fundou a revista Seitô
(meia azul, provavelmente tirado do movimento feminista bluestocking),
em 1911. Foi a primeira revista japonesa editada apenas por mulheres.
Embora a revista tivesse como objetivo lançar novos talentos femininos,
o veículo passou a abordar temas sociais e a divulgar ideais liberais
do Ocidente. Por isso, a revista teve a sua publicação proibida
diversas vezes, sendo cedida a Itô Noe (1895~1923) em janeiro de
1915, outra batalhadora das causas feministas e trabalhistas. Seitô
foi suspensa em março de 1916 e nunca mais foi editada. Itô
Noe foi assassinada junto com Ôsugi Sakae, um dos líderes
anarquistas, com quem vivia.
|
|
Dizem que o
termo karayuki-san, mulheres que foram obrigadas a se prostituir no exterior,
principalmente nos países do Sudeste Asiático, surgiu em
Nagasaki, única cidade onde era permitido o desembarque e a estadia
dos holandeses e chineses, durante a Era Edo. Esses estrangeiros eram
obrigados a ficar confinados na área determinada pelo xogunato
Tokugawa, onde as meretrizes tinham permissão de trânsito.
Essa visita das meretrizes era chamada de karahito yuki, ou
seja, visita a estrangeiros, que, com tempo, foi abreviado para karayuki-san.
Aos poucos, karayuki-san passou a designar pessoas que saíam do
país para trabalhar temporariamente no exterior. Porém,
com o aumento crescente das mulheres que saíam do país enganadas
por promessas de trabalhos melhores no exterior, ou mesmo vendidas pelos
pais pobres aos cafetões, o termo passou a caracterizar as mulheres
que tiveram de se prostituir no exterior.
As karayuki-san
foram verdadeiras vítimas da pobreza, principalmente no campo.
O número delas aumentou após a abertura dos portos, em fins
da Era Edo, chegando a contar com 3.791 mulheres no ano 41 da Era Meiji
(1908). Porém, esse é o número oficial. Na realidade,
milhares de mulheres foram obrigadas a se prostituir durante mais de meio
século, sofrendo atos desumanos no exterior. A maioria era composta
por meninas de 14 e 15 anos, de famílias pobres que foram levadas
para Sibéria, Manchúria, Coréia, Cingapura, Malásia,
Tailândia, Nova Guiné, ilhas da Indonésia, e até
mesmo aos países do continente americano e africano. Devido ao
tratamento desumano dos donos dos prostíbulos, muitas faleciam
entre 19 e 21 anos de idade. Poucas conseguiram sobreviver até
completar 30 anos, ou ainda tiveram a sorte de se casar e abandonar a
vida miserável.
Embora sofrendo
privações, elas ainda mandavam dinheiro para os pais. Com
esse dinheiro, alguns deles conseguiram comprar terras para lavrar ou
construir uma casa nova. Talvez o único consolo dessas infelizes
mulheres, ou seja, meninas, tenha sido o fato de contribuírem para
dar uma vida melhor a seus familiares.
|