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Era Showa – parte 3
Tempo de reconstrução
Era Showa – parte 2
Bomba atômica
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Era Meiji – parte 1
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Os revolucionários e a queda do xogunato Tokugawa
Era Edo – Parte 6
Popularização de algumas formas de arte
Era Edo – Parte 5
As três fases culturais
Era Edo – Parte 4
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Era Edo – Parte 3
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As mulheres que viveram na era das guerras
Era Azuchi-Momoyama
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Bomba atômica
Marco da história do Japão, o episódio foi o ponto de partida para a reconstrução que resultou na sociedade atual

Batalha de Okinawa: muitos civis e militares perderam a vida

Já faz 60 anos desde o fim da Segunda Guerra e o Japão tornou-se a segunda potência econômica mundial. Por outro lado, o país tem passado por desastres naturais, como o terremoto de Kobe, e incidentes como o lançamento de gás sarin no metrô de Tóquio, que pode ser considerado um tipo de atentado terrorista. Podemos dizer que, mesmo no contexto mundial, a população leva uma vida estável em termos sociais, econômicos e políticos, sendo a desigualdade menos acentuada que em países como o Brasil. É certo que tragédias decorrentes da Segunda Guerra – especialmente episódios como o lançamento das bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, bombardeios em cidades como Tóquio e Kobe – constituíram o ponto de partida para a reconstrução que resultou na sociedade japonesa atual.

Obras sobre a bomba atômica

Mangás e animês japoneses são adorados em todo o mundo. Gen: pés descalços (em 10 volumes), mangá sobre o bombardeio de Hiroshima tem edição em português e faz sucesso no Brasil. O autor, Keiji Nakazawa (1939), descreve as condições sociais da época a partir do olhar de uma de suas vítimas, criando o protagonista infantil Gen com base em sua própria experiência. Trata-se de um mangá contra a guerra, que vai além do entretenimento.

No Parque do Memorial da Paz, em Hiroshima, há a estátua de uma menina que ergue um grou em dobradura de papel. Na lápide, a seguinte mensagem: “este é o nosso clamor, esta é nossa prece, para construir a paz no mundo”.

Dentre as obras que descrevem a tragédia da bomba atômica em Nagasaki, o best seller é o livro Sinos de Nagasaki. O autor, Takashi Nagai (1908–1951), como médico militar, serviu na Guerra da Manchúria. Por exposição excessiva à radiação, Nagai adquiu leucemia medular crônica. Sofreu efeitos da radiação da bomba atômica, por se encontrar num raio de 700 m de seu lançamento, onde se localizava a Universidade de Nagasaki. Continuou a escrever mesmo acamado, denunciando a tragédia da bomba atômica, fazendo renovar a percepção das pessoas em relação ao amor humanitário e à paz. Em 1949, recebeu a visita do imperador Showa (Hirohito).

Bombardeios aéreos

Já perto do fim da guerra, em cidades como Tóquio e Kobe, muitos morreram nos inúmeros bombardeios do exército americano utilizando o B29. Há muitas obras baseadas nesses episódios. Citamos aqui Hotaru no haka (Cemitério dos vaga-lumes), de 1967. Ganhador de inúmeros prêmios, é um best seller de 1,3 milhão de exemplares vendidos. A versão animê foi feita pelo diretor Takahata Isao, que vivenciou bombardeios em Okayama. Na Kobe de 1945, os irmãos Setsuko, de 4 anos, e Kiyota, de 14 anos, aguardam a volta do pai, convocado para a guerra, temendo os bombardeios aéreos que nunca sabiam quando poderiam acontecer. Um dia, perdem a mãe em um desses bombardeios e vão viver com a tia, mas são tratados como intrusos, por não poderem trabalhar e apenas consumir os alimentos. Os dois resolvem, então, começar sozinhos uma vida num abrigo antiaéreo. A obra só poderia resultar do desejo de não apagar a memória da tragédia e a chama da vida das pessoas que se empenharam ao máximo para sobreviver.

A tragédia de Okinawa

Apenas Okinawa tornou-se campo de batalha entre os exércitos japonês e aliado, onde um grande número de civis e militares perderam a vida. Especialmente em 1945, no final da guerra, quando 297 pessoas, entre estudantes e funcionárias da Primeira Escola Feminina de Formação de professores de Okinawa e do Colégio Feminino da Província de Okinawa foram mobilizadas para servir como enfermeiras militares na Guerra de Okinawa. Serviam no Hospital do Exército, mas, com o agravamento da guerra, receberam ordens para se retirar. Passaram a servir num abrigo subterrâneo instalado numa caverna. Em 18 de junho, ao receberem ordens de dissolução do destacamento, 219 pessoas optaram pelo suicídio coletivo a sofrer com bombas de gás do exército americano, ou com as humilhações dos militares das tropas inimigas. O incidente causou grande impacto nas pessoas. No local do antigo abrigo, foi construído um monumento em homenagem ao Destacamento Himeyuri, como fora chamado esse grupo, sendo visitado por muitas pessoas. Okinawa foi devolvida oficialmente ao Japão, porém a presença da base militar americana num dos pontos principais da ilha até hoje obscurece a sua história.

Órfãos de guerra

O número de órfãos, segundo levantamento de 1948 do Ministério da Assistência Social e Saúde, é de 123.511 pessoas (excluindo Okinawa). Em 1954, Okinawa registrava 3 mil órfãos. Diz-se que 87% deles tinham idades entre 8 e 20 anos e que foram adotados por parentes ou encaminhados a orfanatos. Mas, como o número dessas instituições era insuficiente, muitos se tornaram errantes, passando a viver nas ruas, chegando a 35 mil em 1947.

Não há família que não tenha sido atingida pela guerra. Todas sofreram algum dano material ou psicológico. Não se pode esquecer que a sociedade opulenta hoje conhecida foi construída com o sacrifício das pessoas que perderam a vida na guerra, nos bombardeios ou com a bomba atômica.

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